Das coisas com que me anda a dar para embirrar é com o excesso de reticências e pontos de exclamação. Estas melancolias em três pontinhos, estes entusiasmos e indignações disfarçados em excessos de pontuação. Ultimamente tenho tropeçado em virgulas como tropeço em pedras da calçada: com a ligeireza de quem já se partiu e ganha reflexos para de imediato reagir evitando a queda. E se calhar é isso mesmo. A pontuação também nos marca a cadência dos dias e há quem ande por aí a tentar encontrar profundidade dentro de si e a disfarçar banalidades com entusiasmos que não os são.
E as perguntas, Deus meu, as perguntas. Cheias de pontos de interrogação, gritadas como se fossem respostas em si. Que se há coisa que sei é que as perguntas vêm de fininho, temendo sempre a resposta incerta, disfarçadas de vírgulas e pontos finais, sussurradas no papel e nos ecrãs.