30

Há idades que trazem consigo um certo peso. Há um ‘suposto’ social que algumas idades acartam. Como fazer 30. Aos 18 anos, as pessoas com 30 anos parecem tão seguras. Tenho vagas recordações dos meus pais com esta idade e pareciam estar tão certos do que faziam. Eram pais e tinham a vida tão arrumada.

Não sei se é desta geração ou se é de todas. A noss é que ‘fala’ pelos cotovelos. Em blogues, no Facebook. Sinto que somos uma espécie de adolescentes divididos entre a euforia que as benesses de ser adulto trazem – somos independentes, temos dinheiro, não dependemos de mesada – e o sentimento de injustiça avassalador de todo o acto que nos exige maturidade ou sacrifício.

Somos uns mimados. True.

Os meus trinta são um bocadinho assim. Posso fingir que sou adolescente. Que posso ser. Porque posso. Mas também me obrigam a crescer – às vezes a uma velocidade estonteante – a ter responsabilidades de que já não me safo com beicinho ou um amuo.

Mas, de vez em quando, vou encontrando um equilibrio (instável, meus caros, instável) entre a estouvadisse saudável e as burocráticas responsabilidades. E esse equilíbrio sabe bem. E crescer, tenho para mim, é mais ou menos isso: a capacidade de nos sentirmos bem algures entre os medos que nos empurram e as certezas que nos amparam.

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